créditos: Bella da Semana

Pelo Velho Mundo

Algumas vezes precisamos de um tempo, sabe... Algo novo... Mudar de ares... Às vezes uma roupa nova ou um final de semana na praia resolve; outras vezes o que realmente precisamos é dar uma guinada, enterrar velhos conceitos e começar novos planos. E não tem nada melhor para esfriar a cabeça e encontrar novos ares do que o Velho Mundo.

O Velho Mundo, por mais contraditório que pareça, é o precursor de novos conceitos em velhas paisagens, o velho visto em nova identidade e tendo isso em vista, para lá fui, em busca de mim mesma, acreditando que meu novo “eu”, destemperado, estava no lugar de onde nunca saíra.

Primeiro destino, e até então único, a Itália; recém chegando a Milão, senti uma afinidade com as pessoas que educadamente ofereciam-se para carregar minha bagagem e me ciceronear pela cidade do Duomo. So far so good...

Desde que havia saído de Malpensa, já sentia que minha escolha estava certa. Infelizmente, meu destino não estava na cidade eternizada pelos irmãos Vitorio e Emanuele; procurava algum lugar para pensar sobre meus novos planos, então de lá tomei um trem para a costa e, na dúvida entre França e Itália, resolvi começar pelo meio termo, entre Cote D’ Azur e Costa Amalfitana. Minha primeira noite foi em Monterrosso. Transitando entre as velhas construções e a vontade de inovar deste lugar, me atrevi a passear pelos restaurantes que permeiam a orla repleta de iates, onde parece que o agito não tem fim.

Numa mesa à beira do porto, como ainda estava sentindo o Jet lag da viagem, pedi uma refeição leve e quando quase ao sair saboreava um cálice de lemoncello, percebi que a chef, a qual havia expressamente elogiado pelo excelente risotto que havia preparado, estava a minha espera para uma caminhada pelo porto.

O porto estava todo iluminado, casais namoravam ao som de Lucio Dalla, e a então Chef, agora apenas Alessandra, me mostrava como uma caminhada pode ter várias surpresas e destinos. Ao encontrarmos o fim da terra, quase uma falésia, sentamos na pedra para admirar o mar e o beijo foi consequência natural do clima que o lugar transmitia: quente, lindo, e com um toque italiano... As coxas de Alessandra, tostadas pelo Sol mediterrâneo, roçavam com seus pelinhos louros pelo meu corpo, resumindo toda a sensualidade da Itália em um simples roçar de coxas.

Alessandra me levou ao hotel de onde podíamos avistar as ondas quebrando e nesse balanço ficamos até o outro dia, quando pela manhã, um ristretto duplo me despertou para a sequência da minha busca.
...

O trem para a França saía às 7h45, fiquei confusa se se tratava de um horário ou de uma coordenada, mas de qualquer forma, após Alessandra e o ristretto, me sentia pronta para tudo. Desembarquei na primeira cidade francesa que vi depois da fronteira e sabia que, apesar não ter que saber (já que mártir paga em vida), ali a cortesia ia ser  louca.

O verão na Cote d’ Azur mostrava que o calor não era passageiro e para agüentar o não tem ninguém, algo precisava ser feito. A estação havia ficado para trás e o mar azul de Menton, que se aproximava na medida em que eu descia pela colina, se mostrava propício para um banho de sol, french style.

Ao chegar ao beachclub, escolhi uma espreguiçadeira perto do mar e ali tirei a parte de cima de meu biquíni e senti meus seios começaram a tostar ao ritmo do sol francês. Para acompanhar meu banho de sol, solicitei ao atendente um vinho rose, especialidade da casa, sendo que este prontamente me atendeu e viu o tempo parar por um instante ao analisar minhas costas lisas e com covinhas que o sol da Provence dourava.

Após alguns minutos, uma linda jovem repousa sobre minha mesa um balde com uma garrafa e ao me oferecer a rolha, percebo suas mãos delgadas, unhas compridas e bem feitas; o seu avental denota um caráter popular, no entanto o excelente vinho por ela recomendado, de coloração alaranjada como devem ser os verdadeiros roses franceses, fez com que o serviço prestado por Françoise - seu nome - merecesse um esforço extra na hora do check out.

Ao chegar ao deck, pouco depois de nadar um pouco, notei que a tarde já estava por terminar e Françoise continuava ali pra me oferecer mais um cálice. Fui recebida por ela com um sorriso e uma vontade incomum de me sentir confortada e aquecida, vontade essa que me fez pedir o jantar com o olho vidrado na sobremesa.

Refletindo sobre as possibilidades de sair à noite em Menton, escassas, fui convencida por Françoise a ir jantar em uma pizzaria à beira mar, onde o dono, italiano – afinal estamos a 5 minutos da Velha Bota – coloca a mão na massa para mostrar o que a velha Itália ainda pode oferecer. Françoise vestia um decotado vestido com seu quadril arrebitado, lindo, para quem quisesse admirar, coxas e panturrilhas (essas causavam vertigens nos populares que ali passavam com seus iates) que de tão torneadas poderiam ser guardadas como esculturas.

Após a cortesia, terminada a deliciosa pizza, convidei Françoise para um café no meu quarto onde poderíamos conversar melhor sobre as nuances da França, seus Alpes nevados e grutas, carabinas, falanges, igualdade, fraternidade e uma liberdade louca... Que no próximo trem a gente descobre...



Stephany


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