créditos: Bella da Semana

Aventuras na Piscina Olímpica

Quando eu penso que vou ficar aqui quietinha no meu canto, fico sabendo que vou viajar de novo! Nada de muito drástico, vou pro Rio, podia ser muito pior... Ainda assim, depois de tanta viagem, ando meio a fim de ficar por aqui, curtir o verãozinho que finalmente começa a dar as caras aqui no sul - essa é a melhor época do ano aqui, na minha opinião: prenúncio do verão! É como se fosse sexta, que é melhor do que o final de semana porque indica que ele ta só começando. Pelo menos essa época no Rio ainda é verão, estação que no Rio ocorre de maio a outubro; Digo ainda em oposição à outra estação, o inferno, que ocorre de novembro a abril. Já que o trabalho que eu vou fazer lá são só algumas reuniões com editores e outros profissionais da área, não vai ser tão puxado e vou poder aproveitar pra rever os amigos, tomar chopinho no Jobi, freqüentar o posto 9 - e o Cafeína na saída da praia - Bar d´hotel, Zero Zero, Devassa, Lord Jim... Tem muita coisa boa pra fazer no Rio. Inclusive encontrar minha biba favorita, o Leandro Lebre, grande amigo de todas as horas! Falei com ele, que ficou todo animado, mas me disse que ia estar viajando quase a semana toda, que a gente só poderia se encontrar no final de semana, quando ele voltasse de Londres. - Queria passar a semana toda grudada nele, mas fazer o que? No final de semana eu grudo. Meanwhile, ele me deu uma dica de um super programa: ir nadar todos os dias na piscina do Flamengo, no lugar dele. A piscina é super bem equipada e muitíssimo bem freqüentada, dá pra dar uma "desopilada" nas idéias e curtir, conhecer gente legal, ao mesmo tempo. O Lê não falha: a piscina é tudo que ele falou e mais um pouco. Sem contar que "detestei" ficar cruzando com os nadadores profissionais do clube nas idas e vindas do vestiário... Ele esqueceu de comentar isso comigo - ou fez questão de deixar como surpresa, bônus de amigo! Justamente pensando nisso enquanto saía do vestiário feminino em direção à piscina, cruzo com o mais atlético de todos, mais de 1,90 m, costas da largura do Corcovado, olhos mais azuis que o mar de Ipanema (à época de Jobim, claro), tirando a toca, todo molhado, na mesma direção e sentido oposto ao meu: da piscina pro vestiário - masculino. Quando eu estava já na borda, pronta pra entrar, um pensamento não me saía da cabeça: eu seria uma mulher muito mais feliz do que eu sou hoje se um dia eu pudesse dar, ainda que fosse só bem rapidinha, só de relance, uma espiadinha num vestiário masculino. De qualquer coisa, de estádio de futebol, de basquete, até de xadrez, o importante era olhar pra um vestiário masculino. A simples idéia de ver tantos homens reunidos, tomando banho, nus, o cheiro da testosterona... ahhhhhhhhhhh! Essa hora não tem muito movimento. Se eu não for agora, perco a minha chance. É isso, vou dar uma olhada no vestiário masculino e vai ser agora mesmo. Disfarço, finjo que esqueci alguma coisa e volto pro vestiário feminino. As portas dos dois vestiários ficam muito próximas, não vai ser tão difícil. É só me fazer de galinha morta aqui uns minutinhos que logo eu consigo ir sem ninguém me notar... Por um lado a decepção, só tinham dois homens naquela hora; em compensação dois espécimes tão perfeitos do gênero masculino, que seria possível repovoar a terra só com eles, criando uma sociedade Huxleriana - homens geneticamente fadados a não terem falha alguma. Fiquei quietinha, atrás da porta, tentando processar a imagem de dois deuses, um grego outro romano, tomando banho, um de frente pro outro. E quando eu pensei que meus olhos podiam derreter diante de tanta beleza, qual a minha surpresa (rimas não são o meu forte, essa foi bem por acaso). Um deles abriu os olhos e, enquanto continuava tomando seu banho, ensaboando o torso cuidadosamente esculpido - esse é um momento crucial na vida de um escritor, dúvida digna de Otelo: dizer ou não dizer que adoraria ser o sabonete, eis a questão! - olhava fixamente pro corpo do outro, a sua frente. Era um corpo maravilhoso, seria até compreensível que desse vontade de olhar, mas pelo muito que eu conheço da natureza masculina, esse tipo de olhar, não faz parte dela. Pouco importa. A coisa fica ainda muito mais interessante: o outro abre os olhos também, notando que era observado. A princípio fica meio constrangido, vira de costas, disfarça. Depois vira e encara o outro. Os dois calados. E assim permanecem durante todo o acontecimento. Depois da encarada o turning point: o primeiro (vou ter que chamar de A porque até agora não seio o nome) desliga o chuveiro, sem tirar os olhos do outro (B, pra nossa analogia algébrica) e vem caminhando calmamente em direção a ele. "B"continua tomando banho, olhando fixamente pra "A". "C", o observador/ narrador que vos fala, estática, sem mexer um músculo, na iminência de uma explosão atômica. "A" pára na frente de "B", que desliga o chuveiro e fica ali, parado de pé, como se soubesse do que ia acontecer. "A" fica de joelhos na frente de "B" bloqueando a visão de "C" daquele príapo fantástico, mas dando uma outra visão ainda mais celestial: começa a fazer movimentos com a cabeça, pra frente e pra trás, não deixando nenhuma dúvida das atividades correntes. Outro momento de dúvida cruel: ficar ali paradinha, deixando a natureza seguir seu curso, ou interferir? A oportunidade era única, não podia ser desperdiçada. Tirei o maio e caminhei lentamente até os dois. Mais um dos tantos espantos daquele dia: não sei se eles tinham percebido que eu estava ali antes ou se simplesmente são muito liberais porque não se mostraram constrangidos nem espantados com a minha presença ali; Muito pelo contrário, "B" fez um gesto com a mão, me convidando pra participar das festividades. Só podia ser um sonho, tive que beliscar, morder, dar tapas, beijar, chupar muito pra ter certeza de que não era. E ficamos ali os três durante horas até chegar perto das 6, horário de pico, nem tanto por medo de ser pegos por outros nadadores, mas um deles podia vir acompanhado de um segurança... Fui pra casa do Lê (ele deixou a chave da maravilhosa cobertura na Delfim Moreira comigo), tomei um banho e passei a noite toda sentada numa chaise, com uma taça de champagne na mão, sem conseguir me mexer nem pra tomar um gole. No dia seguinte, tive que ir embora. Ainda faltavam alguns dias e algumas reuniões pra terminar a viagem, mas resolvi voltar mesmo assim. Não tinha nada mais que pudesse me acontecer no Rio...

Stephany


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