créditos: Bella da Semana

Roleta Russa

Stephany cultural. Hoje vou ao Balé. Programinha cult, tudo de bom! Balé e vinho no barzinho da casa de cultura - super cult também - depois. Relembrar meus tempos de bailarina. ... Espetáculo bárbaro! Bailarinos acrobáticos, tudo lindo! Agora vamos ao vinho no café Picasso, tecer comentários inteligentes - na real, essa parte das pessoas acharem que têm que fazer comentários inteligentes sobre um assunto do qual não entendem nada em absoluto eu considero extremamente desnecessária. Mas faz parte do programa, então vamos lá. Eis que, dez minutos de comentários depois, aparece todo o corpo de balé no tal barzinho. Pessoal super cool, sem estrelismos, animadíssimos, dançando e bebendo todas. A musiquinha de violão não era empecilho: dançava-se loucamente ao som de João Gilberto. E Stephany, logicamente, entra super no embalo. Dançamos muito, várias bailarinas queridíssimas e louquérrimas, forrozinho com bailarinos gays deliciosos... Até que eu percebo uma "coisa" em pé, imóvel, me olhando. Alguma coisa me dizia que ele também era bailarino. Mas a roupa e toda a quietude me confundiam. Continuei dançando. De vez em quando dava uma espiada de canto do olho e percebia que ele continuava me olhando. E era lindo. Alto, forte, charmoso, pele dourada, olhar blazé, bem do jeitinho que eu gosto. Fui perguntar pra uma das bailarinas quem era. Ela me disse que ele era um bailarino da companhia sim, que era russo, bielo russo na realidade, o nome era Vladmir e ele ainda não falava bem o português. Eu adorei as informações em tantos níveis que fica até difícil descrever. Mas não sabendo falar português, ele não viria falar comigo. A iniciativa ficaria por minha conta - não que isso fosse novidade ou me incomodasse, muito pelo contrário. Tomei mais uma cachacinha com as meninas e fui dançar com ele. Ele não dançou. Continuou imóvel, só me olhando com aquelas bagonas verdes e as mãos nos bolsos da jaqueta. Fez-se necessário o movimento infalível: virei de costas pra ele e continuei dançando, bem perto, sentindo o corpo dele com o meu. Ele não resistiu por mais de 11 segundos e colocou as mãos na minha cintura. Ignorei e continuei dançando. Levou aproximadamente 9 pra ele me virar abruptamente pra ele e grudar o rosto no meu. Continuei dançando, sentindo a respiração dele no meu rosto, pescoço, colo. Não sei mais quantos segundos levou até que ele me pegasse pela mão e me levasse pra fora dali. Tentei falar inglês, mas ele não entendia. De alguma maneira consegui saber em que hotel ele estava. E fomos pra lá. No carro ele veio quieto, me olhando fixo. Eu, de olho na estrada, fingia que não percebia o olhar. Mas passava a mão pelo cabelo, pelo colo, com calor. Liguei o ar condicionado e deixei que ele percebesse o perfil dos meus mamilos através da blusa branca. Ele ainda parecia imóvel. Até chegarmos ao elevador. Ele se aproximou de mim com o mesmo olhar blasé, a mesma atitude de quem não se importa e, mantendo os olhos fixos no meu, afastou a mão direita e pressionou o botão que parava o elevador. Até agora ainda não entendi como ele fez isso sem falar português e sem desviar o olhar de mim por um só segundo. Mas foi fantástico. O olhar continuava fixo enquanto ele tirava minha blusa e pegava meus seios nas mãos grandes com ternura. Ele era grande, bruto, mas o toque era suave, macio. As feições eram quadradas, muito masculinas. Por baixo da jaqueta a camiseta ficava justa. O torso era tão grande e forte quanto as mãos e o olhar. O corpo inteiro parecia cuidadosamente esculpido por um renascentista. Ele era inteiro violentamente masculino. Me colocou de frente para o espelho, de costas pra ele - parecia que estava lendo meus pensamentos - e puxou minha calcinha por debaixo da saia. Agora quem estava imóvel era eu, mãos na moldura do espelho, como se estivesse sendo revistada numa batida policial. Por pouco tempo. Ele me levantou no colo, de frente pra ele, pernas sobre os seus braços, como se eu fosse tão leve quanto o ar. Chegou o rosto muito perto do meu, mas não me beijou. Continuou me olhando fixamente, a respiração ofegante, esperando que meus olhos implorassem. E me deu o beijo mais gostoso que eu já ganhei na minha vida. Beijo apaixonado, de adolescente. E continuou me beijando do mesmo jeito durante horas, enquanto fazia movimentos sutis com os quadris. Ainda bem que era madrugada e ninguém notou que o elevador passou horas trancado entre o quinto e o sexto andares. Ele me pediu pra subir até o quarto. Estava extenuada, a idéia de dirigir até em casa me fazia bocejar. Quebrei a regra e passei a noite com ele. Ainda bem. Acordar com o russo foi ainda melhor que subir de elevador...

Stephany


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