créditos: Bella da Semana

O Ciúme

Não ache que só você sofre com aquelas milhares de perguntas que a sua namorada faz cada vez que você diz que vai sair para dar uma volta com o clube do Bolinha. O ciúme é o sentimento mais comum entre as relações humanas. É um sentimento tão natural quanto o tédio e a raiva. Quando se fala em amor então, ele é quase uma redundância.

Mas você já parou para pensar nas causas do ciúme? Ou então, no por que ele existe na sua relação afetiva de forma tão intensa, mesmo você achando que anda na linha?
O ciúme é um sentimento que todos nós podemos ter, em qualquer momento da vida. Ele acontece entre adultos e também entre crianças, que dificilmente sabem raciocinar sobre a razão real dos sentimentos.

Encarado como doença, o grau do ciúme deve ser analisado. Existe uma linha tênue entre as razões da causas do ciúme, se ele simplesmente se trata de baixa estima, de ciúme patológico ou uma obsessão pela pessoa amada não correspondida. Freud defende que o ciúme faz parte da natureza humana e se instala na infância, tendo como ponto central o Complexo de Édipo, no qual o menino sente ciúmes do relacionamento do pai com a mãe, como mulher. Para outros autores o ciúme se trata do medo disfarçado em amor e até mesmo do fruto de relações narcisistas na infância.

Ciúme e amor, no entanto, não se excluem. Irmãos podem sentir ciúmes um do outro e ao mesmo tempo amarem-se. É comum os pais se reportarem a suas próprias experiências infantis e lembrarem como se sentiram com relação aos irmãos e ao afeto de seus pais. A explicação psicológica do ciúme pode ser uma persistência de mecanismos psicológicos infantis, como o apego aos pais.

O amor não correspondido é um dos fatores que desencadeia o ciúme. Inclusive na infância, o amor é sempre o fator causador do ciúme. Mesmo que momentâneo, ele pode ter danos preocupantes para um casal ou as pessoas envolvidas. Como ódio e amor andam juntos, são muito comuns crimes relacionados ao ciúme e, muitas vezes, um ciúme sem fundamentos reais e gerados por fantasias negativas e paranóias. Pode começar com a desvalorização de si mesmo, imaturidade emocional ou o medo do abandono, da solidão, da perda do controle. Explosões de raivas, violência e hostilidade são decorrentes do ciúme patológico, afetando brutalmente um relacionamento. É nessa hora que o ciúme deve ser questionado como apenas um sentimento de insegurança ou como patologia. Um casal com histórias afetivas ligadas à traição ou desprezo é totalmente vulnerável ao ciúme constantemente.

É comum em um relacionamento, um dos parceiros, com receio da traição, procure por provas. Então a pessoa entra numa busca incansável por telefones não conhecidos, anotações suspeitas, agendas de celulares. Qualquer evidência que demonstre que a pessoa amada está desviando sua atenção para outra. O choro pode ser um desabafo, mas é uma atitude insignificante perto dos surtos gerados pelo ciúme. Reconhecer o ciúme e lidar internamente com ele é o primeiro passo. Pessoas predispostas ao ciúme, com medo de serem abandonadas, inconscientemente afastam os parceiros, repetindo a sua história pessoal e o conflito interno com esse sentimento.

O ciúme patológico

O ciúme patológico é uma espécie de paranóia, de distúrbio caracterizado por delírios de perseguição. Normalmente os portadores de ciúme patológico costumam realizar visitas ou telefonemas surpresa, em casa ou no trabalho, abrir correspondências,
bisbilhotar o computador, ouvir telefonemas, examinar bolsos, seguir o parceiro ou
contratar alguém para fazê-lo. Toda essa tentativa de aliviar os sentimentos, além ser
reconhecidas como ridícula até pelo próprio ciumento, não ameniza o mal-estar da
dúvida, pelo contrário, o intensifica.

O companheiro vive em alerta, muitas vezes dissimulando elogios e omitindo fatos que seriam irrelevantes em uma relação saudável, mas que gera um grande transtorno no companheiro que sofra de ciúme patológico. No ciúme patológico o amor do outro é sempre questionado e o medo da perda é contínuo, enquanto no amor normal, o medo não prevalece e o amor não é questionado. O ciúme patológico pode até motivar homicídios, e muitas dessas pessoas sequer chegam aos serviços médicos, pois são vítimas fatais dos ciumentos. Tomados pela ira e sem qualquer traço de consciência, o ciumento mata não só a parceira (o), mas também um filho e as pessoas relacionadas às fantasias criadas em sua cabeça pelo ciúme. Sempre se deu muito mais ênfase para a fidelidade feminina do que a masculina. Enquanto as mulheres sempre foram criticadas por infidelidade, os homens muitas vezes gabavam-se da situação. Atualmente, com a massificação das doenças geradas pelo estresse, como a depressão, o ciúme foi encarado como preocupante e não só como um sinal de amor e cuidado. Os casos de homicídio e violência eram praticamente relacionados aos homens. Hoje as mulheres também entraram nas estatísticas de crimes relacionados ao ciúme.

Esse é um problema importante, porque o ciumento sofre demasiadamente, tendo o sistema nervoso desequilibrado, aumentando a adrenalina, que interfere na dinâmica dos neurotransmissores originando muitas doenças psicossomáticas, assim como obesidade causada pela ansiedade da insegurança. Pessoas com TOC (Transtorno Obessessivo Compulsivo) e tendência a esquizofrenia merecem atenção redobrada. No ciúme patológico pode ocorrer diversos transtornos mentais, como ideiais obsessivas e delirantes sobre a infidelidade. O que acontece no ciúme patológico é o grande desejo de controle total sobre os sentimentos e comportamentos do companheiro. Preocupações com relacionamentos anteriores se tornam repetitivas e excessivas.

Ansiedade, raiva, vergonha, insegurança, humilhação, culpa, aumento do desejo sexual e/ou de vingança são emoções experimentadas pela doença patológica, deixando o ciumento sensível e vulnerável para distorcer e desconfiar de qualquer tipo de informação vista como alerta. Avaliar a racionalidade desses sentimentos, assim como o grau de prejuízo deve ser feito para um quadro de patologia, afinal muitas destas preocupações com fidelidade não chegam a ser absurdas e muitas vezes são bastante compreensíveis.

Pessoas com problemas de alcoolismo são as mais suscetíveis ao ciúme. São características dos alcoólatras os delírios e fantasias de traição. A impotência sexual proveniente do alcoolismo é um importante fator no desenvolvimento de ideias de infidelidade, relacionadas aos sentimentos de inferioridade e rejeição. As mulheres que passam por fases de menor interesse sexual, como na gravidez e menopausa, reduzem sua auto-estima e aumentam a insegurança e a ocorrência do ciúme patológico.

O ciúme como sentimento

Por ser um sentimento comum, o ciúme pode ser considerado banal e infantil, que agravando como doença, compromete o funcionamento normal do sistema imunológico e emocional de uma pessoa. Pela lógica, só quem confia em si mesmo pode confiar em outras pessoas.

Se você tem dúvidas quanto ao tipo de ciúmes da sua parceira (o), comece a perceber quando e como o ciúme surge. Até mesmo se você for o ciumento, veja como reage. Feito isso, gradualmente você deixará de ter reações exageradas, afinal observando a si mesmo vai aprender a discernir fatos entre imaginação e realidade.

O ciúme moderado e ocasional lembra ao casal que um não deve considerar o outro como definitivamente conquistado. Este é o lado positivo do sentimento: ele protege o amor. Fazer o parceiro se sentir valorizado encoraja os casais a fazerem com que se apreciem mutuamente. Do modo que o ciúme potencializa as emoções, faz com que o amor se fortaleça e o sexo seja muito mais apaixonado. Sempre em doses consideradas normais, o ciúme pode ser um estímulo em um relacionamento.

Deixar de interpretar o ciúme como um drama e expressá-lo de modo natural, ou seja, como um sofrimento emocional é muito importante. Conseguir admitir a dor causada pelo ciúme excessivo ao companheiro pode ser a melhor ajuda, afinal a sinceridade consegue trazer a compreensão ao outro. Querer controlar uma pessoa irá, com toda certeza, afastá-la. Sempre lembrando que cada caso tem sua particularidade, sua história emocional e traumas entre relacionamentos afetivos anteriores ou dos pais e irmãos, por isso é importante não ocultar ou se isolar por causa do ciúme. O ideal é tentar buscar ajuda para melhorar a auto-estima e confiança em si mesmo, para lidar com a realidade.

Então, não se sinta culpado ou vítima, procure as causas do ciúme em seu relacionamento. Muitas vezes ela está em experiências que não foram resolvidas no passado e assombram seus pensamentos. Lembre-se que cada pessoa tem sua bagagem emocional, seus medos e suas vivências. É fundamental respeitar isso em um ser humano!

Referências:
http://pt.wikipedia.org/
http://www.redepsi.com.br/
http://gballone.sites.uol.com.br/



Mariana Goulart


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