créditos: Bella da Semana

Sou casado, mas estou apaixonado por outra

Tudo parado, sempre igual, aquela falta de tesão crônica, típica de um casamento que já apresenta os sinais do desgaste. O que fazer? Depois de alguns anos de relacionamento, na convivência íntima que inclui filhos, problemas financeiros, momentos bons e ruins, muitos casamentos entram numa fase bem monótona. Sobra uma boa amizade, respeito, talvez um bom sexo e a sensação de que ainda existe amor. Relembrando o passado, tudo o que foi construído junto, você tem o sentimento de que sua esposa foi e é muito importante em sua vida. Mesmo assim, você olha para outras mulheres com muito apetite, e lá no fundo de si mesmo sente a falta aqueles tempos quando vocês eram mais jovens. Então, bate aquela vontade de viver uma paixão, de sentir a adrenalina de um encontro secreto, o medo de ser descoberto, a alegria adolescente de um flerte retribuído. Então você presta atenção naquela moça que trabalha na sua empresa, que o toca com um olhar romântico, cheio de promessas de um encontro especial. Aquilo mexe com seu desejo lá no fundo da alma, que ainda é jovem e quer brincar. Quer sentir o fogo adolescente queimando seu corpo, os hormônios agitados, passando por cima de qualquer perigo que você insiste em não reconhecer. O sangue circula mais forte, mensagens no computador, a ousadia, o risco. Que saudade de um picante happy hour, da cama redonda do motel. Do espelho do teto repetindo o prazer dos corpos que se descobrem; diferente cardápio, puro deleite, sem compromisso. Que mistério! Estava tudo tão tranqüilo em casa. O que foi que mudou? Que armadilha é essa em que você se meteu? Enquanto pulava a cerca só com escapadas ocasionais, sexuais, o equilíbrio parecia perfeito. Era. Não é mais. Agora, quando você a vê, quer abraçá-la, apertá-la, com ela se fundir numa dança de energias, no beijo, nos olhares, na doce e intrigante companhia. Sai com a garota e entende o eterno enquanto dure, a magia do encontro proibido. Vocês sofrem com a impossibilidade, imaginando como seria bom se tudo desse certo. O banho tomado, o cheiro da infidelidade, os olhos que não disfarçam a culpa que estraga a sensação de bem-estar. Festa merecida, louco divertimento. Você volta para casa renovado. Trata bem sua mulher, leva flores, compensa-a de alguma forma. O olhar para o teto denuncia que você está em outro lugar. - Que foi, meu bem, você está tão estranho... Algo lhe diz que tem coisa errada. Ela não tem certeza, mas fica de mau humor. E agora? Você se sente profundamente tocado e se questiona: - Será que ainda posso ser feliz com uma mulher? - Será que ainda posso viver uma paixão de verdade? Você quer se sentir vivo, de novo. - Mas será que ela me proporcionaria a segurança que tenho em casa? E é neste ponto que o conflito se eleva a um nível insuportável. Você tenta andar por dois caminhos que o levam para diferentes lados. Não é fácil. Depois de alguns encontros você se encontra numa dolorosa encruzilhada. Passado, presente ou futuro? Por onde ir? Ficar com a responsabilidade de um homem maduro ou a aventura do desconhecido? Será que vale a pena viver sem paixão? Quanto tempo ela dura? Você não estaria repetindo uma relação que o levaria ao mesmo ponto em que você se encontra com sua atual mulher? Sem contar o desastre que a situação traz aos sentimentos de cada um. O triângulo tem três pontas, por isso não é redondo. E as pontas costumam ferir. Como administrar as inseguranças, as rejeições e os ressentimentos? Será possível avisar às duas o que está acontecendo? Por quanto tempo se pode suportar isso? Depois de tantas perguntas, uma certeza. A paixão não tem preço, pois com ela você se sente vivo; mas é verdade que um dia ela se vai, para voltar ninguém sabe quando. Este roteiro não é nada original, e é bem capaz que você já tenha passado por isso de alguma forma, em alguma das três posições. De todo jeito, tudo isso gera um enorme desconforto. De novo, o que fazer? Não acredito que existam fórmulas. Minha vontade é sempre apostar em alguma alternativa que chacoalhe a relação, usar toda a clareza mental, discernimento e criatividade, e principalmente o coração, para buscar mais energia onde o amor está.

Sergio Savian


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