créditos: Bella da Semana

Senna 50

 


O último final de semana foi especial para quem admira aquele que até hoje é tido como o maior piloto brasileiro de todos os tempos. Ayrton Senna da Silva, paulista, corinthiano, dedicado, piloto, brasileiro. Morto em 1994 na sétima volta do Grande Prêmio de San Marino na fatídica pista de Ímola.

É engraçado o sentimento positivo e negativo que a figura de Ayrton Senna até hoje desperta nas pessoas. Tudo o que ele fez foi muito significativo e, graças às maravilhas da tecnologia, em especial a televisão, foi acompanhado relativamente de perto pelo povo brasileiro que, se não assistia a todas suas corridas, sabia sempre o que estava se passando com ele. Sabia quando ele ganhava, sabia quando ele perdia, sabia quando ele brigava, sabia quando ele agitava a bandeira do Brasil, quando mudava de equipe e, principalmente, quando era campeão do mundo.

Não é exagero dizer que a visão do brasileiro com relação à Fórmula-1 mudou depois da morte de Ayrton. A categoria era assunto de boteco (botequim, barzinho, ou conforme a preferência), elevador, ônibus, metrô, taxistas e afins. Para nós, homens, era normal chegar ao edifício onde morávamos ou trabalhávamos e alguém comentar algo do tipo "Poxa vida, o Ayrton andou muito ontem, hein?". Fora as famosas expressões como o "Acelera Ayrton" ou o não menos famoso "Tema da Vitória", popularmente conhecido como "Tãntãntãn" ou "Música do Senna" (cabe aqui uma explicação: a música foi criada para as provas que fossem realizadas no Brasil e posteriormente foi usada para vitórias de brasileiros na Fórmula-1. O primeiro a "ouvir" a música foi Alain Prost, quando venceu o GP do Brasil de 1983).

Fora o que o cara fazia na pista, que o colocou entre os grandes da história, inegavelmente. Deixo para outra coluna a disputa "Senna x Schumacher" e ressalto que outros gênios precisam ser lembrados. Muitas imagens seguem na memória de quem acompanhou aqueles momentos.

E qual o grande termômetro para essa contestação? Eu respondo que depois que Ayrton Senna morreu, a Fórmula-1 passou a ser vista com outros olhos. São comuns comentários de pessoas que dizem que não assistem mais corridas depois do que aconteceu, e isso não acontece por má vontade, pois todo trauma deve ser respeitado. Mais que isso, a Fórmula-1 só voltou a ser citada em peso quando programas humorísticos injustamente resolveram acabar com o sossego de Rubens Barrichello.

"A morte aumenta o talento", já dizia o "filósofo" contemporâneo Milton Neves. Senna é um exemplo clássico. Depois de sua partida tudo que é relacionado a ele é amplificado. Diz-se que ele era o maior de todos, ignorando pilotos que podem ter sido melhores que ele ou estiveram no mesmo nível. E este é só um exemplo, pois é claro que a transmissão ao vivo de sua morte para todo o planeta geraria comoção, é fácil de entender, especialmente quando isto ocorre em uma sociedade carente de ídolos e também de bons exemplos.

A mística em torno de Ayrton é tão grande que até mesmo seus críticos exageram um pouco em seus comentários. Não é que eles não gostem de Senna ou não respeitem sua história, eles simplesmente não são capazes de entender o sentimento das pessoas em relação à Senna. Isso também é normal da personalidade humana, visto que ninguém é obrigado a ter a capacidade de saber o que se passa na cabeça das pessoas. Em uma sociedade é assim mesmo, uns são mais sensíveis e outros são mais frios, é comum.

Mas é engraçado como até nos mais frios Senna é capaz de despertar algum tipo de reação. Seja ela respeitosa ou não.

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*Foto: Divulgação



Carlos Garcia


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