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Os dias continuam com 24 horas

E quando a gente vê, já é Natal. É assim que nos sentimos quando paramos para pensar no tempo. Mas, tudo bem, a vida hoje em dia também é mais agitada. A gente não consegue ficar algumas poucas horas sem fazer nada. Você consegue?

Há dias que estamos tão atarefados, cheios de compromissos e estresse de trabalho, que ficamos desejando um dia de folga, sem nada pra fazer, pra podermos deitar por aí embaixo de uma árvore e descansar. Árvore? Mas árvores nem têm wi-fi! Pois é... atualmente até tentamos nos desligar do mundo digital. Dificilmente conseguimos. Antes, passávamos horas num parque, contemplando a natureza, andando de bicicleta, namorando. Hoje, quando entramos num café ou restaurante, quase sempre a gente dá uma olhadinha na tela do celular, pra ver se o wi-fi está ligado, se tem sinal disponível. Quem nunca?

O mais engraçado é que isso faz parte do nosso dia a dia. Ou alguém lembra como a gente se achava sem celular? Digo ´se achar´ no sentido literário do verbo. Quando você saía de casa, deixava um recado com a sua mãe dizendo onde estaria se alguém ligasse. Quantas vezes estávamos na casa de um amigo, tocava o telefone fixo e de repente aparecia alguém pra avisar que o telefone era pra você? Muitas! Quantas coisas perdíamos por causa do verbo achar? Se não estivéssemos em casa, quem nos acharia? Quantos compromissos eram desmarcados e a gente só sabia quando chegava ao local, depois de encarar horas de viagens ou caminhos longos de carro, ônibus ou como fosse?

Hoje, ninguém perde nada. Quando o telefone toca (que já está mais difícil também, pois tem Whatsapp, Facebook Talk, Viber, mensagens de texto) para avisar que seu horário no médico foi desmarcado, você se programa e muda os planos: volta para o trabalho, vai dar uma corrida no parque, liga para aquela gata pra encontrá-la. Se a sua namorada te dá um bolo e sai com as amigas, você nem perde tempo. Pega o telefone e entra no grupo dos caras no Whatsapp para marcar um churrasquinho em casa. 

E é por esse ´ninguém perde nada´ que a vida parece passar mais rápido agora. Essas brechas que a gente tinha pra não fazer nada é que ficaram para trás. Aquela fobia de conferir a timeline do Facebook e checar as últimas postagens no Instagram pode ser feita enquanto você escova os dentes, está parado no trânsito ou espera sua vez no consultório do dentista.

Aqui em casa era assim: sempre trabalhei com Internet, uso smartphone pra tudo e estou sempre conectada. Meu marido só se entregou aos caos há alguns meses e até então passava os dias me criticando. Agora estamos como todos os casais modernos: deitamos juntos no sofá pra ficar cada uma na sua, ou melhor, no seu telefone, se atualizando. A gente briga menos e compartilha as atualizações, dando risadas de postagens engraçadas ou debatendo alguns absurdos digitais.





Mariana Goulart


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