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Parem com os preconceitos de gênero

Roupas, perfumes e até programas de televisão. Estamos passando por um momento no qual a discussão sobre os gêneros é cada vez mais calorosa e polêmica, e nem todo mundo tem coragem de falar em voz alta o que realmente pensa.

Ainda que não estivermos ligados a discussões de gêneros e sexualidade, acabamos sempre nos deparando com situações corriqueiras do dia a dia que nos fazem parar para pensar. Geralmente, as mulheres são mais tranquilas e receptivas quando o assunto entra em pauta, enquanto os homens são mais preconceituosos quando os gêneros estão em questão.

A mídia nos empurra diariamente ideias e padrões sobre o tema que acabam, muitas vezes, complicando ainda mais a nossa cabeça sobre o assunto.

Ao meu redor tenho duas realidades: homens machistas que criticam os problemas relacionados aos gêneros e suas transições; e a homossexualidade, constantemente presente no meu meio de trabalho. No fundo, nunca tive problema algum com isso, muito pelo contrário, mas hoje é algo tão latente que vim trazer esse questionamento para vocês.

Eu tenho uma filha de cinco anos que está na fase dos gêneros. Ela questiona os brinquedos, com o quê as meninas podem brincar e até vai além disso. Já me perguntou se duas mulheres casadas terão filhos e, após a minha resposta, ela concluiu que duas mulheres não podem ter juntas a sementinha.

Fiquei surpresa, pensei em quem poderia ter ensinado para ela sobre a tal sementinha, expliquei que é preciso haver um homem e uma mulher para nascer uma criança, e logo em seguida ela esqueceu o assunto. No fundo, ela não está preocupada com essa situação, pois ainda não julga ninguém - esse é o papel dos adultos!

Será que os homens não aceitam facilmente a questão da troca de gênero por problemas culturais? Por criação? Por brio? Por que muitos homens simplesmente abominam este assunto, ainda que nem faça parte de suas realidades, nem de convívio?

Por que é fácil aceitar duas mulheres juntas na cama, mas não em questões sociais, como casamento e criação de filhos? Por que você trata bem um cliente homossexual com a carteira recheada no seu escritório, mas critica aqueles que brigaram pela liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo? Você é sexólogo, antropólogo ou historiador para se preocupar com isso?

Conheço muitos homens polidos, que jamais apontarão o dedo contra alguém por causa da escolha de gênero. E os admiro. A masculinidade de um homem jamais vai ser colocada à prova porque ele simplesmente aceita a ideia sem criticar ou criar um grande problema.

Conheço alguns homens que não estão nem aí para as questões ambientais, de sustentabilidade, que sequer se preocupam com a reciclagem de lixo, jogando plásticos, vidro, orgânicos e latas no mesmo lugar. Mas que fazem questão de mostrarem sua voz quando querem apontar um problema de gênero.

Os homens deveriam ter o mesmo fôlego que condenam a questão dos gêneros e suas transições para tirar suas roupas sujas de trás da porta do banheiro, para lavar uma louça na cozinha ou ainda para esperar suas filhas na interminável aula de balé.

Gastar energia criticando deveria ser proibido. Aceitar as pessoas, a família, os amigos, do jeito que eles escolheram ser deveria ser algo obrigatório, sem cláusulas.

Acordem, meninos! Conquistem suas mulheres, sejam exemplos a ser seguidos. Parem de viver rodeados de paradigmas, de preconceitos. Isso repele não somente uma mulher, mas a família e os amigos.

As mulheres estão cansadas dos homens machistas, que perdem tempo odiando homossexuais, criticando as novas famílias, os novos formatos de amor. E acreditem: ninguém troca de gênero por convívio!

 


Mariana Goulart


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