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Doping Genético

Com a evidência das últimas Olimpíadas e o afastamento da carreira que sofreu o ciclista Lance Armstrong, somos bombardeados por notícias que nos deixam com a pulga atrás da orelha. Quem acompanhou as últimas notícias tem se perguntado como é possível, por exemplo nos jogos olímpicos, uma atleta tão nova bater recordes de uma maneira que parece tão fácil. Como pode um competidor conquistar 18 medalhas de ouro e se tornar o maior atleta olímpico de todos os tempos, nadando como se estivesse brincando na piscina de casa?

Os Estados Unidos acusam a China, que por si devolve na mesma moeda. Seria a Chinesa Ye Shiwen, de 16 anos, um caso escancarado do desconhecido e temido doping genético? E quanto a Michael Phelps?

Um dos primeiros encontros realizados pelo COI com o objetivo de se discutir a tal prática foi em 2001, porém somente a partir de 2003 é que a Agência Mundial Antidoping (Wada) começou a considerar o doping genético como uma prática condenada para o esporte mundial.



Afinal, o que é Doping Genético?
Nos dopings em geral o atleta ingere substâncias tais como estimulantes, efedrina, anfetamina, narcóticos, hormônios peptídicos e esteróides anabólicos que melhoram a performance. Tais substâncias podem ser usadas através de autohemotransfusão ou manipulações farmacológica, química e física.

Já no doping chamado ´genético´ o atleta recebe um DNA transgênico, que fará com que seu corpo produza a substância. Ou seja, o corpo do atleta dopado geneticamente produz os hormônios que irão providenciar uma melhora significativa em seu desempenho desportivo. Sendo assim, não há necessidade de introduzir substâncias estranhas no corpo – já que o próprio organismo as produz. Ao longo do tempo, o corpo passa a ser o próprio fornecedor de doping do atleta.

Os mais importantes genes candidatos a serem utilizados de forma ilícita pelos atletas são:

• Eritropoietina ( EPO )
• VEGF
• GH e IGF-1
• Inibidores da miostatina
• Endorfinas e encefalinas
• Leptina
• PPAR delta (Peroxisome Proliferator Actived Receptor delta)


Para que fique mais claro, iremos agora explicar algumas dessas formas de doping.


Eritropoietina ou EPO: a eritropoetina é uma proteína produzida nos rins cujo principal efeito é o estímulo da hematopoese. Logo, uma cópia adicional desse gene aumenta a produção de hemácias, de modo que a capacidade de transporte de oxigênio para os tecidos é aumentada. Ou seja, a presença dezste hormônio no corpo eleva os níveis de hemoglobina no sangue. Com isso, mais oxigênio chega aos músculos. Com a abundância de oxigênio, a produção de energia na forma aeróbica é alta, melhorando o desempenho do atleta principalmente nas provas de resistência. Esse tipo de doping seria, portanto, especialmente funcional para atletas de endurance.


VEGF: o VEGF (ou fator de crescimento do endotélio vascular) é uma proteína que desempenha importante papel no crescimento do endotélio vascular. Em atletas, a inserção vetorial do VEGF poderia produzir vasculogênese. Dessa maneira, o fluxo sanguíneo para todos os tecidos seria maior, assim como a nutrição e a oxigenação. Com isso a musculatura esquelética e a cardíaca aumentam sua produção energética, retardando da fadiga.


Inibidores de Miostatina: a miostatina é uma proteína expressa na musculatura esquelética tanto no período embrionário quanto na idade adulta. O gene da miostatina codifica uma proteína que exerce um efeito regulador muito importante no crescimento da fibra muscular. Tanto a cardíaca quanto a esquelética são umas das terapias mais promissoras para uso ilícito no esporte, já que o grande ganho de massa muscular pode ser decisivo para o bom desempenho em inúmeras modalidades.


IGF-1 e GH: em estudos feitos com animais a introdução por vetor de adenovírus do gene que codifica a proteína IGF-1, houve o aumento da síntese protéica na musculatura esquelética. Quando a introdução do gene extra IGF-1 foi combinada com o treinamento de força, a hipertrofia e o desenvolvimento da força foram maiores do que os observados em animais que apenas treinavam força. Esse ganho seria excelente para atletas que necessitam de forca e ganho de massa muscular.



Como surgiu o Doping Genético?
A medicina evolui a cada dia, sempre com o objetivo de identificar curas para doenças graves. Foi através desses estudos que surgiu essa nova modalidade terapêutica da medicina - um conjunto de técnicas ainda em fase inicial de experimentação, mas que nos permite acreditar na possibilidade da cura para doenças como as de origem predominantemente genética ou hereditárias (como exemplo podem ser citadas: distrofias musculares, fibrose cística, fenilcetonúria, cânceres, disfunção endotelial, entre outras).



Como detectá-lo e seus Efeitos Colaterais
Com a rivalidade cada vez maior entre os países, muitos atletas começam a buscar práticas ilícitas para melhorar o rendimento. Foi através dessa técnica terapêutica que iniciaram os boatos de que muitos países têm feito uso desta nova forma de doping. Ainda é necessário que formas concretas de identificação sejam desenvolvidas para comprovar (ou não) o uso desta nova técnica de forma errada - com o objetivo de criar novos super atletas.

As formas de se detectar ainda não são tão precisas e, muitas vezes, são caras e demoradas, ficando assim quase impossível saber se os atletas fazem ou não o uso da terapia congênita com o objetivo de se prevalecer em seu esporte.

Apesar do melhor desempenho que proporciona aos atletas, o doping genético pode ser muito perigoso para a saúde. Há vários casos suspeitos de atletas que sofreram problemas cardíacos, por exemplo. No caso do EPO, ao elevar o nível de hemoglobina a densidade do sangue aumenta e o risco de ataques cardíacos é elevado. Outra suspeita é com a inserção do gene do GH e do IGF-1 que estão relacionados principalmente com o aumento da chance de ocorrência de neoplasias diversas.

Agora é esperar e ver, é possível que logo comecem a surgir novas noticias, novas especulações e quem sabe a mídia comece a investigar e possa trazer à tona o que todos apenas suspeitam. Afinal o doping genético realmente existe ou é seria apenas uma suposição?




Ygor Bueno Barbosa


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